Muitas crianças são dirigidas para instituições devido à falta de condições vividas em casa. Poucas posses monetárias, discuções, agressões e maus tratos vincam, muitas vezes, a primeira infância de uma criança. Este é o vinco que muitas carregam no bolso pela vida fora, tendo medo de relações, tendo medo de se entregar e tendo medo de serem felizes.
Antes de um casal optar pela separação de factos, muitas discussões e desentendimentos acontecem. Através de gritos nervosos, portas batendo ou mesmo um silêncio profundo e incómodo fazem o ambiente de uma casa tornar-se insuportável.
Diante das brigas dos pais, as crianças, começam a culpar-se. É claro que elas não são responsáveis pela vida conjugal dos pais, mas acreditam que são.É a imaginação infantil - por sua omnipotência sentem-se o centro do mundo, e sentem que tudo gira à sua volta. Não vêem nada que não diga respeito aos seus desejos (protótipo do pensamento narcisista digno da fase mais primária do desenvolvimento psíquico).
Quando a criança sofre ou alguém que ela ama sofre, esta acredita ser o agente provocador. Pensa que os pais não estão apenas a pôr o amor entre eles em causa, mas o amor que têm por ela, o que provoca um sentimento de confusão e dúvida: é testemunha muda, sofre calada, abafa as emoções, sente medo e foge. Os filhos sentem-se mais culpados ainda em razão das complicações, dos encargos e responsabilidades que a sua existência faz pesar sobre os pais.
Fuga num cavalo alado
Esses mesmos pais esquecem-se por vezes que um dia se amaram, no mínimo para a concepção de um filho.
A criança assiste às cenas da discórdia, mas desconhece a razão profunda delas. Ela simplesmente vê que os seus pais discutem, observa os seus gestos bruscos, percebe os olhares, e tenta esquecer. Faz de conta que não está a acontecer nada, fugindo no cavalo alado dos seus sonhos, como nos contos de fadas. Acredita que se não falar do assunto nem ouvir falar dele, os problemas deixam de existir.
As vozes altas dos adultos quebram o encantamento inocente da infância onde, no final, deveriam viver felizes para sempre. Ao mesmo tempo que os pais discutem à frente das crianças, não querem confessar isso diante delas. Pedem que saiam. Dizem que não é da sua conta, quando, na verdade são elas as primeiras interessadas.
texto adaptado de um artigo da revista Alô Bebê Club
"O valor do casamento não está no facto de os adultos produzirem crianças, mas de crianças produzirem adultos!" (Peter de Vries)



Muito importante ;)
ResponderEliminarÉ impossível negar que a infância é a base da nossa construção humana.
É tempo de adultos serem novas crianças, rudimentarem os pensamentos estratégicos e aprenderem com a simplicidade do mundo a construir o complexo “eu”.
RaquelGil
Concordo plenamente!Muitos dos problemas com que um adulto se defronta muitas vezes tem uma explicação na forma como viveu a sua infância.
ResponderEliminarEugénia